O Macho da Linha do Estoril ou que gostaria de ser. Homens de meia idade, calças tipo jeans encarnadas, mocassins sem meias e camisa de riscas tudo de marcas conhecidas. No local onde deviam estar uns abdominais gostosos observa-se uma barriguita que conota algum gosto pelo álcool e por petiscos nacionais. Falam alto e normalmente o temas são gajas. Dirigem-se aos funcionários com alguma arrogância e com a voz nasalada. Quando entram olham para toda a gente e fazem os possíveis para serem vistos. (podemos dar mais folclore a esta introdução)
Num dia quente de Agosto de 2008 entram 2 senhores pelo Bar dentro... sentam-se numa espreguiçadeira, pedem 2 hamburgueres e dois refrigerantes. Até aqui tudo normal.
Passado algum tempo e depois de muito se ouvir buzinar junto dos carros que estão estacionados nas traseiras do Bar, um dos meus funcionários começa em voz alta a perguntar passeando-se por entre as mesas e as cadeiras:
“Algum dos senhores tem um PORCHE CARRERA mal estacionado ???”
É então que o mais velho destes senhores se levanta e diz em voz alta:
“O PORCHE ??? é meu, passasse alguma coisa ???”
O empregado vai então ter com ele e diz-lhe:
“O seu PORCHE está a tapar a saída de outro carro, não se importa de o ir tirar de lá ???”
O homem, sempre em registo arrogante, demora o seu tempo e certifica-se de que toda a gente ouviu a palavra PORCHE, depois desfere o seguinte comentário:
“Eu vou tirar o carro se eu quiser”, pediu a conta e deixou-se estar.
Já o burburinho entre os outros cliente ia longo do gênero “que falta de respeito”, “é por causa de gente assim que o pais não avança”, julga que é mais que os outros só porque tem um PORCHE”, ETC... a verdade é que a buzina continuava a tocar e ele não se mexia para ir tirar o PORCHE.
Não sei quem foi, mas alguém chamou a polícia e o reboque.
A Policia chegou, entrou no Bar, perguntou de quem era o carro.
O meu funcionário dirigiu-se ao senhor e avisou-o de que a policia estava ao pé do carro dele.
O homem furioso, levanta-se, vira-se para o funcionário e diz no seu tom arrogante:
“Nós já falamos” e com isto saem os dois deixando a conta por pagar.
Não sei o que sucedeu lá em cima, mas passado um bom bocado o homem desce as escadas entra no Bar e pede em voz alta para todos ouvirem o LIVRO DE RECLAMAÇÕES para reclamar da situação ocorrida no estacionamento.
É claro que não lhe foi facultado o livro, por 2 razões, primeiro porque o LIVRO RECLAMAÇÕES serve para reclamações de consumo e não para reclamar da policia ou do estacionamento, segunda porque enquanto a conta não estiver paga o cliente nao é cliente.
Levantam-se os ânimos, a policia tem de intervir, e então num virar de olhos a reclamação passou do estacionamento para a versão “HÁ MOSCAS NA ESPLANADA”
A Policia obrigou-me então a entregar o livro, onde até hoje ostenta a reclamação do nosso macho.
HÁ MOSCAS NA ESPLANADA.